Chu Ming Silveira: a história da arquiteta chinesa que criou o design do orelhão!

Quando falamos de invenções que marcaram a história da arquitetura no Brasil, o orelhão merece destaque.

Esse projeto de design ajudou na difusão da telefonia no país, permitindo que os brasileiros pudessem ser comunicar com mais rapidez e facilidade nas ruas.

A responsável por essa grande ideia é a arquiteta Chu Ming Silveira.

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Chu Ming Silveira

Em 2017, o Google criou um doodle em sua homenagem, na data em que ela completaria 76 anos.

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Chu Ming Silveira: Doodle (2017)

Através de sua grande obra, a arquiteta mostrou a importância do estudo e de um bom design na criação de objetos.

Além do orelhão, ela também criou projetos de casas e o estilo de arquitetura conhecido como “Pós-Caiçara”.

Ficou curioso para saber mais sobre a história de Chu Ming Silveira? Neste artigo, vamos falar sobre a sua biografia e mostrar seus projetos mais importantes. Acompanhe!

Leia mais sobre a importância do design de objetos:

Chu Ming Silveira: Biografia

 

A arquiteta nasceu em Xangai, na China, em 1941. Aos 10 anos, veio para o Brasil com os pais e seus 3 irmãos.

O motivo da mudança foi a perseguição sofrida pelo seu pai, que serviu às forças armadas nacionalistas e passou a ser atacado após a vitória dos comunistas. A família, então, se estabeleceu em São Paulo.

Em 1964, Chu Ming Silveira formou-se em arquitetura e urbanismo pela universidade Mackenzie.

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Chu Ming Silveira: Formatura no Mackenzie

Em 1965, ela abriu seu escritório de arquitetura e passou a desenvolver projetos na área de edificações.

Depois de dois anos, Chu Ming passou a trabalhar na CTB (Companhia Telefônica Brasileira) como responsável pelo Departamento de Projetos.

Foi nessa época que ela criou o projeto mais famoso de sua carreira, que a fez receber reconhecimento mundial: o orelhão.

A partir de 1973, a arquiteta começou a trabalhar na Montreal Engenharia S.A e, no fim dos anos 80, deu início aos projetos de casas no litoral de São Paulo.

Além da Arquitetura e do Design, Chu Ming também dedicou-se à Programação Visual ao longo de sua carreira.

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A causa da morte de Chu Ming Silveira

 

A invenção da arquiteta, além de revolucionar a telefonia brasileira, também está presente na memória afetiva dos brasileiros.

Talvez, por esse motivo, exista muita curiosidade sobre a causa do seu falecimento, no dia 18 de junho de 1997, aos 56 anos.

Apesar do grande interesse das pessoas pela informação, não existem fontes oficiais que informem o motivo de sua morte.

Os projetos de Chu Ming Silveira

 

De repente – notaram? – a rua melhorou em São Paulo, com o aparecimento do telefone-capacete (…) A verdade é que a rua ficou sendo outra coisa, com as pessoas descobrindo que não precisam mais fazer fila no boteco ou na farmácia para dar um recado telefônico.

– Carlos Drumond de Andrade, crônica “Amenidades da Rua”, publicado no Jornal do Brasil.

Em 1970, à frente do departamento de projetos da CTB, Chu Ming recebeu o desafio de criar um protetor para telefones públicos. Até então, os aparelhos ficavam dentro de estabelecimentos comerciais que tinham contrato com a empresa.

Era preciso que a nova solução aliasse design, praticidade e uma boa acústica. Após vários estudos de materiais e das necessidades de cada ambiente em que os objetos seriam instalados, a arquiteta chegou a três soluções: O orelhinha, o concha e o famoso orelhão.

Orelhinha

 

O primeiro formato desenvolvido pela arquiteta foi o Chu I, chamado popularmente de orelhinha. Ele foi criado para telefones públicos que ficavam dentro de estabelecimentos comerciais ou repartições. Por conta da limitação de espaço, tinha dimensões menores do que os outros modelos.

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Chu Ming Silveira: Projeto original do orelhinha

Ao criar o orelhinha, Chu Ming optou pela transparência do acrílico para causar uma sensação de amplitude.

O material também ajuda a refletir parcialmente os sons externos, possibilitando que o usuário do telefone consiga ouvir quem está do outro lado.

Sua cor, laranja, era diferente do orelhão e da concha para destacar as diferenças das funções.

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Chu Ming Silveira: Orelhinha no prédio da Companhia Telefônica (São Paulo)

Concha

 

O concha foi desenvolvido para ambientes semi-abertos, como postos de gasolinas e rodoviárias.

Sua diferenças em relação ao orelhinha está no tamanho, devido a menor restrição de espaço, e na dimensão da sua abertura. Ele é ligeiramente mais fechado, oferecendo mais proteção acústica.

É possível encontrar esse modelo em vários postos de gasolina da marca Shell.

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Chu Ming Silveira: Concha no posto Shell, na Avenida Ipiranga (São Paulo – 1970)

Orelhão

 

O modelo Chu II ficou conhecido popularmente como orelhão e é uma adaptação do orelinha.

Esse projeto foi o mais desafiador, já que o objetivo era colocá-los nas ruas, ambiente onde há muito barulho e as pessoas poderiam não se sentir atraída a usar o aparelho. Mas a arquiteta conseguiu criar um projeto que caiu no gosto dos brasileiros.

Ao desenvolver o orelhão, Chu Ming dispensou a transparência e optou pelo uso do fiberglass. O material, além de dar mais privacidade ao usuário, também tem uma proteção acústica maior.

Ele também é mais resistente à chuva, vento e altas temperaturas brasileiras, fator importante para a proteção dos aparelhos telefônicos.

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Chu Ming Silveira: Rascunho original do projeto do Orelhão

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Chu Ming Silveira e seu projeto mais famoso

As primeiras cidades a receberem os orelhões foram São Paulo e Rio de Janeiro, em 1972. A partir de 73, a invenção de Chu Ming começou a ser exportada para Moçambique.

Hoje, é possível encontrar adaptações em países como Peru, Colômbia, Angola e em sua terra natal, na China.

Bancas de jornal e de flores em São Paulo

 

Em 1974, Chu Ming também recebeu um convite da prefeitura para projetar bancas de jornal de flores com fibra de vidro. A ideia era padronizar esses estabelecimentos, assim como havia sido feito com os telefone públicos.

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Chu Ming Silveira: Projetos da Banca de Flores e Banca de Jornal

Obra de Chu Ming Silveira em Ilhabela

 

Sem dúvida, o orelhão é o projeto mais famoso de Chu Ming Oliveira, mas ela também ficou conhecida por vários projetos em Ilhabela, no litoral de São Paulo.

Ela definia o estilo das obras como Pós-Caiçara. As casas têm arquitetura simples e foram construídas com técnicas e materiais que remetem aos povos indígenas do litoral.

O uso de elementos da natureza também remete aos princípios da antiga Escola da Forma Chinesa, o Feng Shui.

Além de construir uma pequena vila familiar, Chu Ming também projetou várias residências na região.

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Chu Ming Silveira: Residência em Ilha Bela

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Chu Ming Silveira: Residência em Ilha Bela

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Chu Ming Silveira: Residência em Ilha Bela

Uma das obras mais conhecidas no local é a Casa 658. Ela possui uma estrutura de madeira que, junto com as pedras e vegetação do local, passa um ar rústico e de integração com a natureza.

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Chu Ming Silveira: Casa 658

O imóvel ficou praticamente abandonado durante 7 anos e foi comprado por um casal, em 2014, que decidiu reformá-lo. Hoje, além de abrigá-los, o local também funciona como um pequeno hotel.

A casa de Chu Ming Silveira

 

Em 1975, Chu Ming e seu marido, Clóvis Barros, se dedicaram ao projeto de construção da casa da família, no bairro do Morumbi, em São Paulo.

A obra tem como elementos de destaque o concreto aparente, uma influência da arquitetura brutalista. O estilo tem como principal característica a exposição da estrutura das edificações e de seus materiais “brutos”.

Já a decoração une elementos da cultura ocidental e oriental, aproximando Chu Ming de suas raízes.

Um organismo vivo que protege os seus habitantes e participa com os mesmos das nuances do seu viver, dia a dia, refletindo e contribuindo na realização de sua função vital. O projeto, não apegado a estilos anteriores, se vincula a um compromisso maior, o de acompanhar o crescimento pessoal, em todos os sentidos, de cada um dos seus habitantes

– Memorial Descritivo da obra, escrito por Chu Ming

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Chu Ming Silveira: Projeto da residência da família, no Morumbi

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Chu Ming Silveira: Casa no Morumbi

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Chu Ming Silveira: Casa no Morumbi

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Chu Ming Silveira: Casa no Morumbi

Os projetos de Chu Ming Silveira foram fundamentais no progresso da telefonia no Brasil, e tornaram a sino-brasileira um ícone do design mundial.

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