Paulo Mendes da Rocha: o arquiteto “geográfico”

Faz pouco mais de um ano, em maio de 2016, Paulo Mendes da Rocha recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, pelo conjunto de sua obra.

Não que Paulo Mendes da Rocha precisasse de reconhecimento. Mesmo sendo o primeiro brasileiro receber a distinção, sua obra fala por si, eloquente, ampla, acolhedora, iluminada.

Nesta postagem, vamos contar um pouco da trajetória invejável deste arquiteto capixaba que fez uma carreira exemplar, tanto acadêmica quanto em projetos espalhados pelo Brasil.

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paulo mendes da rocha recebendo o premio em veneza

Paulo Mendes da Rocha: o mestre da arquitetura “oportuna”

 

Nascido em 25 de outubro de 1928, em Vitória, Paulo Archias Mendes Rocha tinha pai engenheiro (um professor de “Naval e Recursos Hídricos” na POLI, em São Paulo) e, talvez por esta influência paterna, tenha defendido que a “arquitetura primordial é a geografia”.

Formado arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1954, a partir de 1960 iniciou uma profícua carreira acadêmica na FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde foi professor.

Fez parte, sob a influência de João Batista Vilanova Artigas, da chamada Escola Paulista, que tinha uma visão baseada na “verdade estrutural” da arquitetura, que buscava ser “crua, limpa, clara e socialmente responsável”.

Paulo Mendes da Rocha também priorizava o público ao privado, não em um sentido político, mas acreditando que a obra arquitetônica faz parte de um conjunto mais amplo: a cidade; e que, por isso, antes de servir a quem vai habitá-la (a casa), deve compor de forma integrada este conjunto maior; ao mesmo tempo em que se serve da topografia e do território da melhor maneira, expressando de forma fundamental a integração do homem sobre a natureza e seu entorno.

Se inspire também com a incrível história de: Lina Bo Bardi.

Confira algumas palavras de Paulo Mendes da Rocha neste sentido, divulgadas neste rápido filme do canal Casa.com.br.

Resumindo estas ideias, podemos repetir uma de suas declarações mais esclarecedoras de seu modo de pensar:

“Eu acho que a questão fundamental da arquitetura é resolver problemas. Portanto, se você quiser dizer assim, que qualidade a arquitetura deve ter – imprescindível – se tivesse que dizer uma só qualidade, eu acho que ela deve ser ‘oportuna’. Estamos em cima desse planetinha, girando perdidos no universo. Agora, ninguém discute mais isso”.

Trajetória e obras que se “integram ao ambiente” e “dialogam com a paisagem”

 

4 anos depois de formado, em 58, foi autor do projeto vencedor do Ginásio do Clube Atlético Paulistano, que lhe valeria um prêmio na VI Bienal Internacional de São Paulo.

Já como professor da FAU, nos anos 60, além de diversas escolas da rede pública, projetou, em 62, a sede social do Jockey Club de Goiânia.

Em parceria com a Artigas  e Fábio Penteado, projeta um conjunto habitacional para 50 mil pessoas, em Guarulhos, conhecido como “Zezinho Guimarães Prado”.

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Paulo mendes da rocha Jockey Club de Goiânia

Apesar da carreira brilhante, tanto arquitetônica como acadêmica, influenciando toda uma geração de estudantes na FAU, é afastado da Universidade de São Paulo por motivos políticos, no ano de 1969.    

Mas Paulo Mendes da Rocha não esmorece. No ano seguinte, vence o concurso para o projeto do Pavilhão do Brasil na Expo 70, em Osaka, no Japão. Em 76, também projetou o Centro Cultural de Convenções de Campos do Jordão, cidade serrana turística do Estado de São Paulo.

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Paulo mendes da rocha Centro Cultural de Convenções de Campos do Jordão

Com a anistia, em 1980, Paulo Mendes da Rocha retorna a FAU, onde se manteve lecionado até o ano 99.

Nesse período e nos anos que se seguram, projetou obras marcantes, sempre caracterizadas pelo uso da técnica para transformar a topografia e as estruturas já existentes em prol de uma obra que vai integrar seu uso ao entorno, graças ao engenho humano.

Nascem, assim, o Museu Brasileiro de Escultura (MUBE), em 88; a intervenção arquitetônica na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 93, o Centro Cultural da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, em 96; a cobertura para a Praça do Patriarca (São Paulo), em 2000; a Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Recife, em 2004; o Museu da Língua Portuguesa, em 2006, e o projeto para o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, em 2008, entre muitos outros projetos.

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paulo mendes da rocha museu brasileiro da escultura mube

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paulo mendes da rocha: mube

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paulo mendes da rocha: pinacoteca do topo

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paulo mendes da rocha: pinacoteca por dentro

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paulo mendes da rocha fiesp

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paulo mendes da rocha: fiesp de cima

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paulo mendes da rocha praca do patriarca

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paulo mendes da rocha: praça do patriarca de cima

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paulo mendes da rocha capela nossa senhora da conceicao

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paulo mendes da rocha museu da lingua portuguesa

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paulo mendes da rocha: museu da lingua portuguesa por dentro

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paulo mendes da rocha Museu dos Coches

No início da postagem, falamos do recente prêmio, o Leão de Ouro, em Veneza. Mas a premiação que todos acreditam ser a de maior destaque em sua carreira foi o Prêmio Pritzker, que ele recebeu em 2006.

Considerada por muitos o “Nobel da Arquitetura”, esta honraria é atribuída anualmente a um arquiteto em atividade que melhor cumpra os princípios de Virtrúvio (grande precursor da arquitetura): solidez, beleza e funcionalidade.

Além destes, Rocha também foi agraciado recentemente com o Praemium Imperiale Internacional Arts 2016, pela Associação de Arte do Japão, e com a medalha de de 2017 do Royal Institute of British Architects (RIBA), em uma recente onda de reconhecimento internacional pelo seu trabalho.

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Para finalizar nosso texto, selecionamos mais um filme curto, em que um projeto residencial marcante deste mestre é apresentado de forma poética, pelo canal Me. au.