Dá pra ganhar dinheiro com arquitetura social? Veja como trabalhar na área

A arquitetura é uma área com grande função social, afinal, a moradia é uma das necessidades básicas de todo ser humano.

Diante desse contexto, é importante que arquitetos possam expandir a sua visão e enxergar novas possibilidades dentro da profissão.

Uma delas é a arquitetura social.

Em um país como o Brasil, marcado pela desigualdade social, aumenta cada vez mais a necessidade de olhar para a população considerada de baixa renda e oferecer serviços que caibam em todos os bolsos.

Se interessa pelo assunto?

Neste post, vamos mostrar o que é a arquitetura social, sua importância no e como trabalhar na área. Acompanhe!

Conheça outras áreas da arquitetura:

O que é arquitetura social?

Arquitetura social é uma atividade voltada para o planejamento e construção de moradias para população de baixa renda.

Entre seus principais objetivos está promover a interação entre a vida e a forma e estimular uma relação saudável entre as pessoas e as cidades.

Em um projeto de arquitetura social, o arquiteto deixa de lado as preocupações estéticas e foca em aspectos como uso dos materiais, condições do terreno, reformas, disponibilidade da mão de obra e situação sócio-econômica dos moradores do local.

Essa área está intimamente ligada com as políticas públicas das cidades e os programas de urbanização e habitação.

Grandes arquitetos conhecidos por projetos icônicos também trabalharam em prol da arquitetura social.

Podemos citar Le Corbusier, Jean Nouvel e, entre os brasileiros, Affonso Eduardo Reidy e Ruy Ohtake.

Veja seus projetos:

  • Le Corbusier
Arquitetura social: Unité d'habitation de Marseille

Arquitetura social: Unité d’habitation de Marseille

  • Jean Nouvel
Arquitetura social: Nemausus

Arquitetura social: Nemausus

  • Affonso Eduardo Reidy
Arquitetura social: Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho)

Arquitetura social: Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho)

  • Ruy Ohtake
Arquitetura Social: Conjunto Residencial "Redondinhos", em Heliópolis, São Paulo

Arquitetura Social: Conjunto Residencial “Redondinhos”, em Heliópolis, São Paulo

Entre os arquitetos famosos que se dedicaram à arquitetura social, também podemos citar Richard Neutra.

Nos anos 40, ele viajou pela América Central e Latina a serviço do Departamento de Estado dos EUA.

Nesse período, o arquiteto visitou vários países, inclusive o Brasil, com o objetivo de entender as questões habitacionais das áreas urbanas e rurais dessas regiões.

Esse estudo deu origem ao livro “Arquitetura Social em países de clima quente”, publicado em 1948.

Os desafios da arquitetura social no Brasil

 

Grande parte dos brasileiros sempre tiveram dificuldades para ter uma casa que atenda as necessidades básicas de uma moradia, como boa estrutura, ventilação, saneamento e acesso às estruturas de comércio, cultura e lazer.

Em 2017, o déficit habitacional no país atingiu o maior nível dos últimos 10 anos, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas e a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias.

O número de unidades necessárias para suprir a demanda habitacional no país chegou a 7,77 milhões. Em 2007, era de 7,26 milhões.

Esse problema é resultado de diversos fatores, e a solução é cada vez mais desafiadora para quem está envolvido na questão da arquitetura social.

Ações do governo, da iniciativa privada e de ONG’s estão voltadas para a construção de conjuntos habitacionais, mas, mesmo assim, o déficit continua grande.

Diante de tantos desafios, vários grupos de profissionais se reúnem para buscar soluções que possam ajudar o maior número de pessoas possível.

Algumas ONG’s voltadas para arquitetura social defendem a ideia de que o foco deve ser voltado não para a construção de novas moradias, e sim para as reformas.

Esses grupos defendem que se não há a possibilidade de oferecer novas moradias para todos, o investimento em pequenas mudanças pode melhorar a segurança, saúde e bem-estar geral dos moradores.

Um exemplo simples são as reformas no banheiro e cozinha, ambientes em que deve haver cuidados maiores com a higiene e controle da umidade.

Se respeitarem alguns requisitos, os moradores podem recorrer a linha de crédito de construção e reforma.

Veja o que já publicamos sobre o assunto:

Projetos de arquitetura social no Brasil

 

  • Núcleo habitacional da Rocinha (Rio de Janeiro)
Arquitetura social: núcleo habitacional da Rocinha (Rio de Janeiro)

Arquitetura social: núcleo habitacional da Rocinha (Rio de Janeiro)

  • Conjunto Habitacional Zaki Narchi (São Paulo)
Arquitetura social: Conjunto Habitacional Zaki Narchi (São Paulo)

Arquitetura social: Conjunto Habitacional Zaki Narchi (São Paulo)

  • Conjunto Habitacional Vereador Liberato Costa Júnior (Recife)
Arquitetura social: Conjunto Habitacional Vereador Liberato Costa Júnior (Recife)

Arquitetura social: Conjunto Habitacional Vereador Liberato Costa Júnior (Recife)

  • Conjunto Habitacional Duarte Murtinho (São Bernardo do Campo)
Arquitetura Social: Conjunto Habitacional Duarte Murtinho (São Bernardo do Campo)

Arquitetura Social: Conjunto Habitacional Duarte Murtinho (São Bernardo do Campo)

  • Conjunto Habitacional do Jardim Edite (São Paulo)
Arquitetura social: Conjunto Habitacional do Jardim Edite (São Paulo)

Arquitetura social: Conjunto Habitacional do Jardim Edite (São Paulo)

Como trabalhar com arquitetura social no Brasil?

 

É um grande desafio promover a arquitetura social no Brasil, já que o mercado de arquitetura não está tão favorável para os profissionais.

Falta apoio governamental, além de incentivos para que os arquitetos possam exercer essa atividade de forma segura e valorizada.

Mas se você sonha em atuar com arquitetura social, saiba que com o planejamento, foco e organização é possível encontrar oportunidades interessantes na área.

A primeira opção para quem quer trabalhar com arquitetura social é fazer concursos públicos.

Além de oferecer estabilidade financeira, cargos no governo trazem a possibilidade de realizar grandes projetos municipais, estaduais e federais.

Veja nosso post especial sobre o assunto: Concursos para arquitetos – Mostre seu talento e garanta um emprego público ou reconhecimento internacional

Outra forma de atuar na área é trabalhando em ONG’s voltadas para a habitação social.

Além de voluntários, muitas delas precisam contratar profissionais para atuar de forma mais ativa nas organizações.

Separamos 6 ONG’s e empresas de habitação social que vale a pena conhecer:

Arquitetos que querem atuar na área também podem escolher o caminho do empreendedorismo.

Alguns dados mostram como a arquitetura voltada para as classes C,D e E pode ser uma boa oportunidade de negócio.

De acordo com uma pesquisa da CAU/BR e Datafolha, apenas 7% das famílias brasileiras já utilizaram serviços de um arquiteto e urbanista, e 70% delas utilizariam.

Entre as pessoas que não utilizaram, mas sentem vontade, 33% alega que a falta de condições financeiras é o maior impedimento. Já 17% consideram que o serviço é muito caro.

E aqui vai o dado mais curioso: a maioria dos entrevistados acredita que o trabalho do arquiteto custa cerca de 20% a 40% do total da obra, quando na realidade fica em torno de 10%.

Diante dessa realidade, o mito de que um serviço de arquitetura “só é pra rico” precisa ser derrubado, pois existe um grande grupo de pessoas dispostas a contratar arquitetos.

Confira 10 dicas da CAU para quem quer empreender em arquitetura social:

  • Foque no mercado de reformas
  • Invista na população considerada de baixa renda
  • Faça marketing local
  • Ofereça um projeto completo (planejamento, material, mão de obra e financiamento)
  • Facilite o pagamento com a opção de parcelamento
  • Compre materiais direto com os fabricantes
  • Qualifique a mão de obra
  • Viabilize metodologias de troca e mutirões
  • Busque parcerias
  • Elabore um plano de negócios

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