Inspire-se em 5 grandes projetos arquitetônicos e crie os seus

A arquitetura conta a história de lugares e pessoas. É uma arte pública e sua presença nas cidades, nunca passa despercebida. Cada obra mostra características próprias da época em que foi construída, a situação social, econômica e política – aspectos que vão originar a memória histórica do lugar.

Em um rápido tour pelos grandes projetos arquitetônicos de um país, você aprende sobre seu desenvolvimento, sua história, e o impacto que a arquitetura tem na vida de seus habitantes e no entorno em que está inserida.

Como dizia o arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe: “A arquitetura é a vontade da época traduzida em espaço”.

Aqui, trazemos uma seleção de obras icônicas de nomes renomados como Mies Van der Rohe, Frank Gehry e Burle Max. Descubra as particularidades, curiosidades e aspectos gerais de edificações que traduziram a vontade da sua época – seja qual for – em espaços que se tornaram símbolos e inspiração para profissionais de todo o mundo.

A dica é aprender com os mestres e adaptar essas técnicas e tendências para se inspirar e usar em seus projetos, dentro do contexto, da realidade e do objetivo de sua obra.

5 grandes projetos arquitetônicos que falam por si só

 

Pavilhão de Barcelona de Mies van der Rohe

 

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grandes projetos arquitetônicos: pavilhão de barcelona

Hoje, conhecido como Pavilhão Mies van der Rohe, esse projeto foi desenhado especialmente para a Exposição Internacional de Barcelona de 1929.

A primeira vista, não é uma construção que impressiona o visitante logo de cara. No entanto, este pequeno grande projeto arquitetônico mudou para sempre o modo de fazer arquitetura. Um marco do Movimento Moderno – que depois rendeu a van der Rohe o título de pai da arquitetura moderna –  esta obra engloba todas as ideias dessa linha arquitetônica.

Mies van der Rohe que foi diretor da Bauhaus a partir de 1930, foi escolhido para tomar a frente do desenho do Pavilhão Alemão e difundir as ideias do movimento.

O uso das cores nos materiais e elementos utilizados no interior buscavam representar a bandeira da Alemanha: o mármore de ônix dourado, a moqueta preta e a cortina vermelha. Na concepção, escolheram usar materiais inovadores para a época, só possíveis devido às “novas” tecnologias, como concreto armado, aço, vidros grandes e outros três tipos de mármore.

O pavilhão foi construído em uma plataforma de travertino coberta e a composição combina uma série de planos ortogonais independentes de oito pilares de aço que suportam a cobertura principal, criando um espaço minimalista.

Aberto e luminoso, de aparente simplicidade, mas é marcado por um profundo estudo geométrico, em que, como ele dizia: o menos é mais.

Conheça mais da obra deste arquiteto: Mies van der Rohe: vidro, aço e arquitetura

Museu Guggenheim de Frank Gehry

 

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grandes projetos arquitetônicos: museu guggenheim

Outro grande projeto arquitetônico, o museu Guggenheim, localizado em Bilbao, Espanha, foi projetado nas margens do rio Nervión pelo californiano Frank Gehry.

Uma escultura em tamanho gigante com uma desafiante ambição política por trás: a busca de uma cidade que queria se tornar outra, uma melhor, no futuro. Uma obra emblemática de uma das capitais mais famosas do País Basco.

Da forma à matéria

 

A construção do Guggenheim trazia todo tipo de desafios técnicos e organizacionais. Decidido em Nova York, projetado em Los Angeles e erguido em Bilbao, a partir do apoio de empresas de todo o mundo, este museu só se tornou realidade graças a processos que exigiram acordos complexos entre as partes envolvidas.

Com suas formas curvilíneas e a referência ao contexto urbano industrial da cidade, o museu foi estrategicamente pensado para ocupar a margem do Nervión.

Ali, ele poderia incentivar a recuperação do rio que consequentemente refletiria na melhora da qualidade de suas águas e também da região ao redor. Um exemplo de como investimentos urbanos e de recursos humanos em uma área esquecida pode gerar evolução e uma positiva transformação de um lugar que hoje é mundialmente famoso e foco de novas oportunidades.

Este projeto mostra que a nova arquitetura, embora não seja a panacéia para todos os nossos males, quando bem aplicada pode proporcionar um efeito transformador na qualidade de vida de seus habitantes.

Veja mais: Frank Gehry, curvas que desconstroem a arquitetura

Jardins do Aterro do Flamengo de Roberto Burle Marx

 

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grandes projetos arquitetônicos: jardins do aterro do flamengo

Ao longo de sua vida, Burle Marx realizou mais de dois mil jardins públicos e privados no Brasil e pelo mundo. Pintor, escultor, arquitecto, cantor barítono, designer de joias e cozinheiro, este homem multifacetado alcançou o reconhecimento como paisagista.

Os Jardins do Aterro do Flamengo (ou antigo Parque IV Centenário), na beira da exuberante paisagem da Baía de Guanabara, é uma obra que merece destaque por ser o maior jardim urbano do país e um dos maiores do mundo com seu 1,2 milhão de metros quadrados.

Esse projeto incluiu milhares de especiais de plantas, assim como diversas áreas para lazer, como ciclovias que o cruzam de ponta a ponta, campos de tênis, futebol e basquetebol públicos, além de parques infantis. A definitiva busca por melhorar a qualidade de vida dos cariocas e turistas.

“O Parque do Flamengo foi projetado de maneira ambiciosa. Nobre ambição, ato de amor, tentar melhorar as condições de habitabilidade de uma cidade, criando um parque novo, organismo vivo, feito para o homem e na medida dele”, afirmou Lotta de Macedo Soares, idealizadora do parque.

Sua história é cercada de curiosidades e lendas urbanas, como a divertida e nostálgica “lenda do tamboril”, a árvore-mãe. Conta-se que essa foi a primeira árvore do parque, e que teria sido plantada pelo próprio Burle Marx.

Definir a carreira não é fácil, veja como foi essa escolha para Roberto Burle Marx: o jovem pintor que se tornou paisagista

Praça das Artes do Brasil Arquitetura

 

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grandes projetos arquitetônicos: praça das artes

Localizada no centro velho de São Paulo, este é um dos grandes projetos arquitetônicos brasileiros e um dos mais premiados na atualidade, tendo ganhado em 2014 o prêmio Icon Awards, da Icon Magazine, na categoria Edifício do Ano; e também está entre os 76 finalistas do Designs of the Year 2014, organizado pelo Museu de Design de Londres.

Projetado pelo escritório Brasil Arquitetura, este espaço cultural reúne os anexos do Teatro Municipal (orquestras, quarteto de cordas e corais), uma escola de música e uma de dança e o centro de documentação.

Levantado a partir de muito concreto e vidro, os blocos estão dispostos de forma que criam uma praça pública – daí o nome – para interação de artistas e moradores da região.

Casa da Cascada de Frank Lloyd Wright

 

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grandes projetos arquitetônicos: casa da cascada

Considerada por muitos a obra maestra de Lloyd Wright, a Casa da Cascata, na Pensilvânia, foi desenhada quando ele tinha 67 anos e levou 3 anos para ficar pronta (1936-1939).

Este grande projeto arquitetônico era a casa de campo da família Kauffman, e foi inspirado pela natureza e em linhas limpas. Não por menos, a casa foi construída ao redor de uma cascata, sem interferir no curso da natureza.

Veja também: Lina Bo Bardi – Biografia, as principais obras e o legado do MASP

Inicialmente, a família imaginou que o projeto seria construído do outro lado, a fim de permiti-los contemplar a cascata, mas Lloyd Wright tinha outra ideia em mente: ele queria que a casa fosse parte da natureza e não uma casa na natureza. Inclusive, existe uma pequena escada que dá acesso a margem do riacho, onde Edgar Kauffman Sênior costumava pescar trutas.

Como Lloyd Wright não acreditava que as pessoas deveriam se sentir dentro de caixas, ele pensou as janelas de forma que se conectassem perfeitamente, criando a ilusão de estar na natureza, mesmo que dentro da casa.

Veja mais sobre este gênio: Frank Lloyd Wright e a arquitetura que não fere a paisagem

Como usar estas inspirações em suas obras?

A arquitetura, como toda arte aplica, evolui bebendo no passado e construindo aprendizados.

A dica é ser autêntico, ser você mesmo e imprimir seu estilo de forma a servir ao projeto, para que atenda as necessidades do cliente. O inverso não pode acontecer: servir-se do projeto para divulgar ou impor um estilo arquitetônico que não traz benefícios aos usuários.

É este equilíbrio entre arte e técnica, beleza e funcionalidade que constrói grandes projetos arquitetônicos, e o próximo, pode ser o seu.

Ah! E quando ficar pronto, não deixe de divulgar em seu portfólio na Viva Decora.