Os 3 erros mais comuns que destroem a lucratividade de arquitetos e como resolvê-los

Eu sei que este não é o tema que mais faz brilhar os seus olhos, pois normalmente finanças de arquitetos não são prioridade até existir uma grande crise e você descobrir que pode ter sua empresa fechada nos próximos meses.

Então, se você não quer chegar a esse ponto e deseja antecipar qualquer problema financeiro no lado pessoal e profissional esse texto vai te ajudar bastante.

Pois vamos falar sobre o Lucro do seu negócio. Mais especificamente vamos falar sobre 3 erros que talvez estejam destruindo suas chances de ser verdadeiramente lucrativo e com as finanças organizadas.

Erro 1) Não entender que você tem um negócio

 

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lucratividade para escritórios de arquitetura: lembre-se que você tem uma empresa

Você tem um negócio e precisa ter consciência disso.

“Ah, mas eu trabalho sozinha(o), sou autônoma(o)…”

Não importa. Se você quer ganhar dinheiro de verdade e ser independente financeiramente, você precisa entender que você tem um negócio nas mãos. Que você, além de arquiteto ou designer de interiores, é empreendedor(a).

Veja também: os 6P’s do arquiteto empreendedor e como eles impactam na sua empresa.

Ao perceber que você não é “somente” um arquiteto pessoa física, algumas coisas começam a acontecer…

  • Você começa a se portar como um empresário. Isso vai demonstrar mais confiança a seus clientes.
  • Você vai pensar como empresário. Ou seja, vai pensar em profissionalizar o negócio, os processos, o crescimento, o lucro, etc…
  • Você vai separar as finanças pessoais das finanças do negócio.
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lucratividade para escritórios de arquitetura: Separe suas finanças pessoais das finanças da empresa

Este último tópico é um erro grave que a maior parte dos profissionais de arquitetura e interiores comete, pois quando você mistura o seu dinheiro com o dinheiro do negócio, você prejudica ambas as partes.

Você como pessoa física não tem claro qual o seu salário – ou seja, não sabe o quanto pode gastar e nem o quanto deve poupar/investir.

E, por outro lado, o negócio não tem previsibilidade das despesas, pois a cada mês você, como sócio, retira um valor diferente.

Você pode está se perguntando agora: “mas eu sou sozinho(a), não faz diferença eu receber um salário (pró-labore) ou não.

Faz sim.. e muita! Principalmente se você encara o que você faz como um negócio.

Como exemplo, a 4blue, minha empresa, tem uma reserva financeira de 12 meses (falaremos sobre isso no erro 2). Ou seja, se a nossa empresa parar de faturar hoje, conseguimos pagar toda nossa estrutura, nossos salários etc por mais 12 meses. Se a gente diminuir custos, dura ainda mais.

Quando você mistura o seu dinheiro com o dinheiro da empresa, esse cenário não existe mais, pois nem você enquanto pessoa física saberá sua reserva e muito menos a empresa.

Se você entendeu e concorda com o passo acima, passe a retirar um salário fixo por mês. Assim, todo dinheiro que entrar, será dinheiro do negócio. E uma vez por mês você faz uma retirada de salário como se fosse um funcionário mesmo. Siga as boas práticas de planejamento financeiro para autônomos.

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lucratividade para escritórios de arquitetura: retire um pró labore

E faça reservas para seu negócio, pois é assim que empresas lucrativas trabalham. E se você tem uma empresa, você quer que ela seja lucrativa, certo?

Veja também: Como fazer o controle financeiro do seu escritório de arquitetura e da sua vida pessoal

Erro 2) Não fazer reservas financeiras

 

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lucratividade para escritórios de arquitetura: não deixe suas reservas financeiras esgotarem

Todo negócio tem altos e baixos. Todo negócio.

Quando estamos no alto, sempre temos a ilusão de que tudo permanecerá assim – e subindo. Até sabemos que as coisas podem mudar, mas na prática em nossos planos acreditamos que sempre iremos continuar crescendo.

O problema não é a crise de mercado, ou a queda dos clientes ou mesmo a concorrência. O problema acontece quando não estamos preparados para tudo isso.

E uma das formas de estar preparado é tendo reservas financeiras.

A conta é simples: o seu negócio deve ter reservado pelo menos 6 meses dos gastos fixos.

6 meses? Sim, 6 meses. Nesta conta deve estar incluído o seu salário (que falamos acima) e todos os outros gastos fixos que a empresa possua (aqueles que você não pode cortar em caso de contenção de despesas).

A ideia é simples… se tudo der errado, você terá 6 meses de dinheiro para repensar o negócio e tentar algo novo. Além disso, ao ter esta reserva financeira, você estará mais preparado para aproveitar oportunidades, afinal estará com dinheiro em caixa.

Aqui entra um detalhe interessante: quando você comete o erro 1 (não entendendo que tem um negócio), raramente o seu negócio terá uma reserva financeira. Na prática, você acaba gastando muito dinheiro com contas pessoais e o negócio em si sempre fica no zero a zero ou até negativo. Um erro leva ao outro.

Veja também: 13 dicas para economizar dinheiro mudando seus hábitos.

E só pra reforçar: esta reserva é do negócio, ok? E não da pessoa física… você como pessoa física deve ter suas reservas financeiras também, mas a ideia aqui é que a empresa tenha sua própria reserva de caixa.

Então, a partir deste momento, além de tirar um salário fixo mensal, você vai deixar o lucro que o negócio está gerando dentro do próprio negócio. Se já houver uma certa quantia em reserva, não hesite em aplicar em fundos como CDB, por exemplo.

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lucratividade para escritórios de arquitetura: invista um pouco das suas reservas

Se tiver interesse em evoluir nesse assunto temos um curso gratuito de gestão financeira para pequenas empresas. São 5 aulas que vão te ajudar a controlar o dinheiro do negócio de forma profissional – mas mantendo a simplicidade necessária.

Erro 3) Não precificar corretamente os serviços

 

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lucratividade para escritórios de arquitetura: precifique corretamente seus serviços

Imagine a seguinte conversa:

– Estou com sérios problemas financeiros…

– Sério? Você está com poucos clientes? Dificuldade para conseguir novos projetos?

– Pior que não. Estou trabalhando bastante e cheio de clientes.

Basicamente dois cenários são possíveis num caso como este acima:

  1. Você está gastando dinheiro demais (possivelmente porque comete o erro 1)
  2. O preço cobrado está errado.

Quando o preço cobrado por um prestador de serviços está errado, acaba que você trabalha e trabalha, mas não vê a cor do dinheiro. Justamente porque, apesar de uma boa quantia de clientes, você cobra menos do que deveria, logo, fatura menos do que justo.

Veja esse outro material complementar: 11 dicas de como estruturar as finanças do seu escritório de arquitetura

Precificar não é uma atividade super simples, admito. E uma coisa que definitivamente não ajuda é seguir as tabelas padrão dos conselhos.

O correto é fazer uma cobrança do projeto a partir das horas de trabalho. Não precisa cobrar por hora, mas o cálculo do projeto deve ser feito a partir das estimativas de horas de trabalho.

Justamente por não ser um assunto tão simples, convido você a baixar um e-book gratuito sobre Precificação para Arquitetos. Clica aqui pra baixar.

Neste e-book mostramos o passo a passo de como precificar corretamente seus serviços e parar de perder dinheiro.

Recapitulando os 3 erros que destroem a lucratividade de arquitetos

 

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lucratividade para escritórios de arquitetura: recapitulando os 3 principais erros que podem destruir o seu lucro

Os três erros (e soluções) que arquitetos geralmente cometem em suas finanças:

1) Não entender que você tem um negócio > A partir de agora você entende que tem uma empresa e uma das ações imediatas é separar as finanças da empresa das finanças pessoais;

2) Não fazer reservas financeiras > A partir de agora o dinheiro que sobra do negócio continua no negócio formando um “colchão” de segurança;

3)  Não precificar corretamente os serviços > Você vai baixar o e-book de precificação para arquitetos e vai rever seus preços cobrados para garantir que não esteja perdendo dinheiro.

Para finalizar, gostaria de lembrar o seguinte: nem sempre é o mais habilidoso arquiteto que vai se tornar referência e ser lucrativo.

Na realidade, quando falamos de negócios muitas vezes o maior player do mercado não é aquele com a maior qualidade. Vide McDonald’s, para dar apenas um exemplo.

O grande player é aquele que tem um bom negócio. São diversas variáveis que vão determinar o seu sucesso. Qualidade é uma delas. Uma boa gestão financeira também é essencial.

Esse post foi escrito por Renan Kaminski, sócio da 4blue. A 4blue é uma empresa especialista em Gestão Financeira para pequenas empresas. Tratamos um assunto complexo (sim, eu sei) de forma simples, prática e sem chatice.