Jardim oriental: tenha o estilo do oriente dentro da sua casa

A partir do Impressionismo, a estética japonesa começa a despertar o interesse do mundo ocidental. Antigas crenças japonesas, vagamente chamadas de Shinto, defendiam a veneração aos elementos e aos antepassados. Rochas, quedas d’água, árvores e montanhas seriam a morada dos kami (espíritos da natureza). As montanhas eram vistas não só como moradas dos espíritos da natureza, mas também morada dos antepassados, portanto as montanhas inspiraram muitos paisagistas japoneses, e nos jardins era comum a construção de ‘montanhas’ artificiais.

Conheça mais sobre o estilo do jardim oriental

No século VII os japoneses designavam os jardins com a palavra niwa que significa ‘local de veneração’. O Zen Budismo influenciou a arte dos jardins. Indiretamente através das pinturas que se tornaram inspiração para eles, e diretamente pelos monges jardineiros que criaram cenários para auxiliar o processo de meditação.

Configuram se paisagens que inspiram o sentido de iluminação, de vislumbre do infinito, de algo mais, e claro, isso depende muito do estado de mente do observador, e de sua predisposição para desfrutar algo para além da configuração material daquilo que ali está exposto. No paisagismo japonês uma das tipologias que remete a esse vislumbre de algo além é uma derivação dos jardins paradisíacos onde é usado um processo de miniaturização da paisagem. Nesse processo, rochas verticais simbolizam montanhas; montes de terra, colinas; arbustos fazem as vezes das árvores; pequenos cursos d’água, no lugar de rios, podem alimentar lagos que além de lagos simbolizam o mar.

Quedas d’água são elementos importantes no jardim oriental. Sua tipologia é variada e o desenho baseia-se na observação das quedas d’água reais onde uma rocha é colocada ladeada por outras duas que lhe dão sustentação e sensação de equilíbrio visual. O processo de miniaturização utiliza princípios de perspectiva para ampliar e reduzir espaços. Quando falamos sobre perspectiva, os elementos mais próximos parecem maiores enquanto os mais distantes parecem menores. Os japoneses trabalham com esse efeito enfatizando essa relação. Por exemplo: próximos do ponto de observação colocam um elemento deliberadamente maior e á distância colocam um elemento deliberadamente menor. Da mesma forma o tratamento de lagos e córregos, que próximos do ponto de observação são mais largos e estreitam-se à medida que se afastam. Texturas mais rústicas e complexas na frente, e texturas mais leves e delicadas atrás.

Normalmente os jardins e as construções japonesas são concebidas para promover uma preparação mental ao observador. Entra-se na casa diretamente da rua ganhando um corredor sombrio, onde primeiro à esquerda e depois à direita revelam-se pátios ajardinados, indicando a passagem do urbano para o rural. Perceba que são jardins e projetos com densa e vasta carga técnica e conceitual. O tema exposto é parte do curso de Estilos de Jardins do artista plástico Marco Antônio Braga.

 
Henrique Vital Valentim

 

Henrique Vital  é colaborador do Viva Decora e paisagista dedicado a melhorar a vida das pessoas utilizando elementos presentes na natureza que nos cerca.